vida cristã

CARÊNCIAS EMOCIONAIS

março 27, 2017

A minha carne e o meu coração desfalecem... [Sl. 73:26]
Eu já caí, mais vezes do que gostaria, no erro de deixar meu coração na superfície. E a facilidade com a qual ele era fisgado era muito maior do que poderia me orgulhar. Essa minha disposição e todas as complicações que se derivaram dela podiam ser resumidas em uma palavra: carência.
A carência é uma armadilha. Faz da necessidade natural do homem de amar, ser amado e se relacionar um veneno, e do prazer saudável de estar com alguém um vício. A carência é um propulsor para a criação de ídolos no coração. E a carência faz o coração desfalecer. O que é evidente, visto que é humanamente impossível satisfazer um coração carente e sedento. Nenhum homem consegue ser tudo para outro, não é possível que um ser humano consiga corresponder a esse desejo e, segundo Ernest Becker, carregar o fardo da divindade.
A carência gera expectativas inalcançáveis. Quanto mais elas são alimentadas, mais elas se multiplicam e a relação se desgasta à medida que o carente pede por mais atenção, mais carinho, mais e mais e mais... E o preço pago por ambas as partes acaba sendo excessivamente alto: um se torna um a espécie de deus para o outro e já não há mais relacionamento, mas uma busca por redenção. E como toda expectativa que vai além da realidade, ela acabará em frustrações, feridas, corações partidos, esgotamento mental, emocional, físico e tantas quantas forem as consequências.
A carência aprisiona. Tornamos pessoas reféns da nossa necessidade de afirmação e satisfação, transformando-as em nossa fonte particular de amor. Quando essa fonte não jorra água, nos machucamos e machucamos o outro à medida que exigimos dele o que ele não pode dar. A partir daí muitas cadeias se formam, surge a dificuldade de perdoar e afastamos queridos de nós, por não sabermos lidar com as suas [e nossas próprias] limitações.
A carência usurpa a graça do amor verdadeiro. Ela faz com que nos concentremos nas nossas necessidades, em como eu vou me sentir amada, como vou me sentir segura, como o próximo vai se doar por mim. Mas o amor não busca os próprios interesses, antes ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta [1Cor. 13]. O amor é [também] um movimento em direção a alguém. Envolve sacrifícios e abnegação. Quando amamos com sinceridade e com o coração preenchido e satisfeito, nossas atitudes e pensamentos se convergem em direção às necessidades do próximo, em como servir, agradar, abençoar e se doar.
A carência tem solução. Pessoas satisfeitas são livres dessa armadilha. Essa satisfação não é encontrada em si mesmo, nem em coisas externas, em realizações, ou momentos. A satisfação plena da alma é encontrada em Cristo. Agostinho sintetizou esse conceito quando disse “fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti”. Se queremos descanso para nosso coração inquieto e carente, se queremos segurança, afirmação, identidade, alguém amoroso, bondoso, fiel e acima de tudo perfeito, podemos olhar para Ele. “Quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti. A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.” [Sl. 73:25,26]. Quando o coração de Asafe desfaleceu, ele buscou fortaleza e esperança no único que é capaz de garanti-las.
Ter relacionamentos é bom e é importante. Deus nos criou para nos relacionarmos. "É melhor serem dois do que um" [Ec. 4:9]. Mas quando nossa fonte de amor está fincada em Cristo e em Seu amor por nós, voltamos à nossa posição de dependentes dEle, de Sua graça, que é melhor que a própria vida, e somos livres para transbordar esse amor aos que nos cercam. Aprendemos a atentar para o que é dos outros [e, nesse sentido, compreender a forma de amar de cada um] e não para o que é nosso.

Só a Deus a glória.
Eurídice.

vida cristã

O MEU AMADO

março 20, 2017

FONTE
Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu [Cantares 6:3]

Essa descrição do Senhor é de uma docilidade iningualável. Pensar em Cristo como O Amado, tendo o Seu amor como nossa possessão é preciosíssimo para a alma. Não há relacionamento mais precioso, mais profundo e perfeito, mais cheio de delícias e prazer do que o que encontramos nEle, vindo dEle, para louvor dEle. Ele é totalmente desejável em Sua graça, bondade, misericórdia. Ele é como o perfume dos campos, sua formosura é sem máculas. Seu amor é melhor do que o vinho, este nos sustenta. Sua voz é suave e poderosa, como voz de muitas águas.
O amor do Senhor é irresistível. O salmista o buscava de tal forma que seu próprio corpo respondia desejando-o "muito  em uma terra seca e cansada, onde não há água" [SL. 63:1]. Ele desejava ver a glória do Senhor, desejava Sua benignidade mais do que a própria vida. Ele o desejava tanto que seus pensamentos eram sobre Ele na vigília da noite, e meditava constantemente nEle. Ele era seu regozijo, sua canção e seu auxílio. O Amado, aquele a quem sua alma amava. Da mesma forma o povo de Israel encontrava ocasião para cantar ao seu amado:

"Mesmo durante o longo inverno, quando a idolatria mirrou o jardim do Senhor, os profetas da Igreja encontraram ocasião para deixar de lado, por algum tempo, o fardo do Senhor e cantar, como o fez Isaías: “Cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito da sua vinha” (Isaías 5.1)." [Charles Spurgeon]

Para onde foi o teu amado, ó mais formosa entre as mulheres? Para onde se retirou o teu amado, para que o busquemos contigo? [Cantares 6:1]
A Sulamita descreve seu amado com tanto fervor e devoção que as mulheres que a cercavam também desejavam conhecê-lo. Da mesma forma nós, que estamos imerso no amor puro e perfeito do Amado, devemos refletir e transmitir com mais zelo as virtudes e graças dEle, de modo a contagiar os que nos cercam. Nosso relacionamento deve refletir toda entrega e confiança no Amado.
Nosso relacionamento deve ser profundo, não superficial, sem reservas, com todo nosso ser, com nossa razão, sentidos e com nosso próprio corpo. Deve ser sacrificial, negando nosso próprio eu para servir ao Amado e fazer toda Sua vontade. O mundo deve olhar para nós e dizer, como aquelas mulheres, para onde se retirou seu Amado? Queremos buscá-lo contigo! E quando nos questionarem "Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuras?" [Ct. 5:9], que possamos espelhar o quão irresistível é nosso Amado para nós, como estamos atadas a Ele, como Ele é preciosíssimo, "o primeiro entre dez mil"!
De fato, o amor do Senhor é tão forte, e a Sua Igreja está tão mergulhada nele, que não há coisa alguma em todo universo que poderá nos separar dele. Paulo lista que nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a fome, nem a nudez, ou o perigo, ou a espada, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor! [Rm. 8:35,38,39] Que amor é esse?
Que essas verdades criem raízes na nossa alma, que saibamos possuir esse amor como o maior bem, como aquele tesouro pelo qual somos capazes de vender tudo o que temos. Que Ele seja nosso anseio e estar com Ele nosso alvo todos os dias. E que esse amor nos leve a glorificá-lo com muito mais fervor.

Em Cristo.
Eurídice.

vida cristã

QUANDO A INSEGURANÇA É TUDO O QUE VOCÊ CONHECE

março 13, 2017

A fraqueza da insegurança é uma realidade que eu conheço bem. Não sei, minha amiga, o quanto você entende disso. A insegurança é um imã que te prende a um chão cheio de incertezas e medos, e paralisa todas as suas faculdades. É um tipo de medo tão recorrente que na nossa sociedade tem se tornado um estado do ser. É uma batalha travada na mente, que lança suas provocações, dizendo que você não é boa o suficiente e nada do que você faz basta. Tem sempre mais, sempre algo melhor, nada nunca está completo. A insegurança é gerada por um profundo sentimento de inferioridade, rejeição e pelo medo da desaprovação dos outros. Uma pessoa insegura pode se expressar de formas diferentes, dependendo de seu temperamento, evitando completamente - ou buscando a atenção das pessoas ao seu redor.
Eu vivo lutando contra as sombras da insegurança todos os dias. Circunstâncias simples como dar um "bom dia", fazer uma pergunta, expôr uma opinião, ou discordância e fazer conhecida alguma necessidade requerem de mim um esforço fora do normal. Em cada uma delas a possibilidade da falha e da fraqueza se colocam diante de mim como um tremendo obstáculo, difícil de transpor. "E se eu falar muito baixo e eles não me ouvirem?", "E se não gostarem das minhas ideias?, "E se tudo o que eu estou pensando não passar de coisas ridículas e sem sentido?". Minhas dificuldades são reais, assim como devem ser a de algumas de vocês, e os esforços que fazemos para superá-las são genuínos, mas elas talvez escondam um problema mais profundo. Elas podem estar nos dizendo que nossa identidade é incerta ou está ameaçada.

Identidade incerta.
Um dos mecanismos de fuga dos inseguros é buscar afirmação em outras pessoas. Quanto mais aprovação e reconhecimento ele receber, melhor ele vai se sentir consigo mesmo. Quanto mais sentir que está agradando alguém, mais seguro ele vai estar. É como se essa pessoa fosse incapaz de se perceber fora de alguém. De certa forma sua identidade acaba sendo moldada nas coisas que A ou B falam acerca dele. Ele só se sente amado se A ou B o amar, só se sente valorizado se essas pessoas afirmarem constantemente seu valor. Isso é como se equilibrar no fio de uma navalha. Da mesma forma que ele é falho e inconstante, os outros também são. E no momento em que ele errar com alguém, no momento em que desagradar alguém, toda confiança que ele construiu ruirá.
O que o inseguro precisa entender é que nem mesmo seus melhores amigos são - e não é justo que eles sejam - fundação segura para se construir uma identidade. Firmar sua segurança no homem é ir contra a Palavra do Senhor. "Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!" [Jr.17:5]

Onde você encontra a identidade?
Bem aventurado [feliz] é o homem que põe no Senhor sua confiança [Sl.34:8]. Feliz, contente, firme... e seguro. Essas são as características de alguém que encontra sua identidade no Senhor. Como moças e mulheres redimidas, nossa identidade primária é de filhas do Pai Eterno, servas do Deus Altíssimo. Nós recebemos, por meio do sacrifício de Cristo, o direito de nos tornamos filhas de Deus [Jo. 1:12]. Essa identidade supera qualquer coisa, esse fundamento sólido, ao contrário do que encontramos em outras pessoas, em outras coisas, não pode ser destruído jamais. Diante dEle podemos parar de olhar para as coisas terrenas em busca de satisfação, completude, propósito e afirmação. É Ele quem define os parâmetros e os rumos da nossa vida, já que a vida que vivemos, vivemos pela fé no Filho de Deus [Gl. 2:20]. Cristo vive em nós! Não precisamos nos sentir inferiores ou dependentes, temerosas e apreensivas. Estando nEle nós podemos ter a certeza de que nossas vidas são conduzidas graciosamente, e amparadas em segurança.
Nele nós temos a capacidade de pensar o que convém a nosso respeito: nem mais, nem menos [Rm. 12:3]. Com a devida moderação, seremos capazes de refletir a cerca dos nossos defeitos e limitações, e de estimar nossas virtudes de modo a usá-las para glória de quem as deu. Podemos, enfim, colocar de lado o peso do temor do homem, as comparações pecaminosas, o sentimento de insuficiência. Cristo é suficiente e sua suficiência nos alcança. Ele vive em nós, podemos descansar nessa gloriosa revelação da graça de Deus.

Toda falta de alegria e paz que advém de uma identidade incerta é quebrada quando compreendemos quem fomos criadas para ser e qual é o nosso propósito. Roubamos o Senhor da Sua glória quando não repousamos nosso ser nEle, quando buscamos nosso fim em outra coisa qualquer. Mas quando abraçamos a identidade que nos é dada no Filho - e quando vivemos ela - experimentamos toda plenitude da graça, do amor, da misericórdia, da bondade de Deus, e temos, enfim, abundância de paz e satisfação.

“Que a gente pare de querer olhar para o lado, e foque na cruz de Cristo, no sangue dEle derramado por nós, para que nós sejamos dignas, filhas do Rei dos Reis, filhas do Deus Altíssimo – que a nossa identidade esteja toda nisso.” [Francine Veríssimo]

Só a Deus a glória.
Eurídice.

feminilidade

A BELEZA DA FEMINILIDADE

março 06, 2017

FONTE 
A visão que a bíblia nos oferece acerca da mulher no Senhor é gloriosa. A feminilidade é valorizada, admirada e ensinada nas Escrituras. A feminilidade é algo belíssimo e cativante, e devemos buscar nos aperfeiçoar a cada dia nesse sentido. Quando abandonamos o que nos foi dado por Deus para buscarmos o que foi dado ao homem - quando tentamos a todo custo nos tornar iguais a eles - perdemos a oportunidade de revelar a glória dEle da forma que só nós podemos. Cada um de nós, homens e mulheres, devemos assumir nossos papéis. Somos complementares diante do Senhor. Então, ecoo aqui o pedido de Elisabeth Elliot que nos marca até hoje: deixe-me ser aquilo que fui criada para ser: uma mulher.
As Escrituras são riquíssimas em graças às mulheres. Sua força e virtudes são louvadas nos Provérbios, sua formosura e amor são exaltados nos Cânticos, salmistas celebram o esplendor e a dignidade das suas filhas. E em toda Palavra vemos o amor, o cuidado e a benevolência do Senhor para conosco. Quem além dEle poderia formar um ser em que a graciosidade e a força andam de mãos dadas? Ele a fez frágil, porém destemida [1Pe. 3:6,7].

No que consiste a verdadeira beleza da feminilidade? 
"Considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. [...] Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus [...]". [1Pe. 3:2-5]
Na primeira epístola de Pedro, ele envia para a igreja inúmeras recomendações acerca da vida cristã particular, em comunidade e no lar. Nessa passagem ele se direciona às mulheres, chamando-as a viver uma vida casta - pura - e em temor a Deus. Ele mostra àquelas mulheres que não são seus penteados, sua maquiagem, sua roupa da moda, suas jóias, nem seu estilo que as tornam belas, mas que a beleza é algo que resplandece de dentro para fora.

A beleza começa no coração.
Os mais belos adornos de uma mulher deve está no seu coração, no "homem encoberto". Sua beleza deve florescer de um espírito manso e quieto, inabalável, consistente e convicto de seu lugar em Cristo. Ela deve manter seu coração velado em Deus, que a sustenta, alimenta e satisfaz. Ela não deve ter nada acima do Senhor, mas viver em piedade e devoção, testemunhando nas pequenas coisas a sua fé. Para tanto, ela encher seu coração e sua mente da Palavra do Senhor, que a santifica e aperfeiçoa, que produz nela o fruto do Espírito, que a enche de mansidão e quietude, virtudes preciosas a Deus.
Somos chamadas a aprender como as santas mulheres que esperavam em Deus e viviam diante dEle sem temer perturbação alguma, confiando nas Suas promessas e no seu cuidado.

A beleza de Sara e suas filhas
"Olhai [...] para Sara, que vos deu à luz" [Is. 51:2]. Por sua fé, Sara foi adornada com as virtudes que mais embelezam uma mulher. Sendo obediente, submissa e corajosa, ela seguiu seu esposo quando Ele foi chamado por Deus para um propósito. "Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto" [1Pe. 3:6].
Nós somos chamadas a fazer o bem. Em casa, sendo uma filha dedicada, uma esposa amorosa, uma mãe bondosa. Como filhas, nosso bem é honrar nossos pais e estarmos atentos às suas palavras. Uma esposa faz o bem ao amar e respeitar seu marido, se submetendo a ele. Fazemos o bem na igreja onde servimos, cooperando com alegria e disposição, no ambiente onde trabalhamos, ou estudamos, com gentileza e humildade. Fazemos o bem ao demonstrar bondade aos que nos cercam, com um sorriso, uma palavra de apoio, um serviço feito com esmero. Fazemos o bem ao receber pessoas em nossas casas com amabilidade, oferecendo nosso melhor. Fazemos o bem quando nos preocupamos com aqueles que pouco ou nada possuem, sendo generosas e caridosas. Uma mulher disposta a servir e que serve com o coração é sobremaneira bela, pois há nele uma alegria transbordante que reflete em seu rosto [Pv. 15:13].
Também somos chamadas a manter nossa confiança não temendo nenhum espanto. Ela não tem medo de caminhar, pois sabe que é Deus quem dirige seus passos. Ela não tem medo do amanhã, pois sabe que é Ele que a sustenta. Ela não tem medo da morte, pois sabe que todos os seus dias estão contados. Ela não tem medo das aflições e angústias, pois tem por certo que há um consolador para sua alma. Em nosso espírito deve haver tranquilidade, mansidão e quietude próprias de uma mulher que conhece o Deus em quem está firmada. Nosso viver pode ser sereno, pois sabemos quem tem nos guiado. Uma mulher que se mantém segura em seu espírito, mesmo em meio às turbulências e aflições da vida, certamente é mui bela. Ela sabe esperar em Deus em silenciosa submissão. Ela reconhece que a providência do Senhor é suficiente para nunca permitir que nada lhe falte. Seu repouso está em Deus e sua alma se deleita nEle todos os dias, sem agitação.
Assim como Sara, estamos todas propensas a tropeçar e, em incredulidade, rir diante de tudo o que o Senhor tem nos revelado. Entretanto, Ele mesmo converterá nossos corações para que creiamos. Ele nos mostrará o caminho da verdade para que nos arrependamos. A beleza do traje incorruptível do coração não vem de nós mesmas, não produzimos virtudes em nosso interior. Somos adornadas dia após dia pelo Espírito de Deus que habita em nós tem nos preparado e moldado segundo o Seu caráter e Sua bondade.

Só a Deus a glória.
Eurídice.

vida cristã

EU E MINHA ANSIEDADE

fevereiro 27, 2017

Às vezes a ordenança “não andeis ansiosos por coisa alguma” parece impossível de obedecer. Por exemplo, em minhas crises de ansiedade eu fico ansiosa... para que a ansiedade passe! E um ciclo interminável e angustiante se inicia. A ansiedade é uma das minhas maiores fraquezas e motivo de constante oração e confissão.

Jamais posso deixar de olhar para a ansiedade como o que ela é: um pecado contra Deus.
Até porque dizem que é a doença do século e acabamos nos conformando com isso. A ansiedade é um medo paralisante e tem inúmeras facetas. Ela vem à tona pelos mais diversos motivos: uma oportunidade que surge quando não estamos preparadas, uma expectativa gerada, uma frustração, a necessidade de fazer uma viagem, tomar uma decisão importante, ou de reagir a uma situação complicada, quando temos que lidar com alguém, ou com o problema de alguém, quando desejamos profundamente agradar as pessoas... E a lista continua. A ansiedade tem a capacidade de bloquear as faculdades mentais de uma pessoa e cegá-la para uma visão mais ampla do que está diante dela. Quando ela chega, a coisa mais tentadora a se fazer é, provavelmente, se entregar. Fechar os olhos e mergulhar nas preocupações e desesperanças. E fazendo isso, não confiamos em Deus. E essa é a raiz da ansiedade: a incredulidade. É não crer que em todas as circunstâncias descritas aqui - e em todas as outras que você puder pensar - Deus conduz nossos passos e mesmo em nossos vacilos Ele cumpre sua vontade.
Mas o que Ele  nos diz a respeito disso? Quais são as coisas que precisamos fazer para não estarmos ansiosas por coisa alguma?

Olhe para o Senhor
A ansiedade cega facilmente, portanto ela não pode ser nosso foco. Quanto mais ela preenche espaço dentro de nós, mais difícil se torna a batalha contra ela. Por isso a primeira coisa a se fazer é olhar para o Senhor no momento da ansiedade.
O ansioso tem uma frustração dentro de si: há uma necessidade latente de concertar e aperfeiçoar as coisas para que nada fuja do seu controle. Não pode haver falhas, nenhuma possibilidade de escape. Há uma tensão o tempo todo para que tudo seja feito conforme o previsto, com 100% de sucesso. Um olhar de reprovação, a sensação de desagrado, uma crítica mal apresentada pode por tudo a perder. Mas o que é perfeito senão Deus?
Deus é Perfeito. Contemplar sua beleza traz uma satisfação, gratidão, segurança e completude que nada mais proporciona. Maravilhar-se com a perfeição de Deus é um consolo para a alma do ansioso. "Porque, quão grande é a sua bondade! E quão grande é a sua formosura!" [Zc. 9:17].

Somos chamados a contemplar a Sua beleza. A contemplar a Sua perfeita natureza. A ler as Escrituras maravilhando-nos do Seu perfeito caráter. A olhar ao nosso redor na Criação, que mesmo quebrada pelo pecado enaltece o Salvador. E podemos levantar os olhos ao Criador e encontrar paz no Belo e Perfeito que nos amou e que está trabalhando em nossos corações imperfeitos e ansiosos para tornarmo-nos cada vez mais perfeitos como Ele. [Hendrika Vasconcelos]

Lembre-se
Quando Jeremias estava em aflição por causa da ira do Senhor sobre Judá ele confessa que sua esperança no Senhor havia perecido, que ele havia se esquecido do bem e que sua alma só se recordava do pranto [Lm. 3:17-20]. Entretanto, em um ponto ele exclama “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” [vs.21].
Quando a ansiedade nos atinge, não é difícil esquecermos de todo bem que o Senhor já fez por nós. Fixamos nosso olhar para o que está diante de nós e mais adiante, onde não podemos alcançar. Nos preocupamos e nos angustiamos por coisas que ainda estão por vir, quando Jesus nos diz em sua Palavra que nenhum de nós, com todo nosso cuidado, podemos acrescentar um côvado à nossa estatura [Lc. 12:25]. Nessas horas precisamos experimentar olhar para trás, lembrar de tudo o que já vivemos e trazer à nossa memória as misericórdias do Senhor. E quantas são! A cada dia se renovam!
Há algo mais que precisamos trazer à nossa memória. Quem nos ordena estar em paz e não ansiosos é Aquele que começou a boa obra em nós e a aperfeiçoará. O mesmo que tem escrito todos os nossos dias desde antes da fundação do mundo e que tem a conta de todos os cabelos da nossa cabeça, Aquele que nos deixou sua paz e disse que estaria conosco até a consumação dos séculos. Aquele cuja vontade é perfeita, que é fiel ao conduzir os seus com graça e segurança, como fez com Israel quando os tirou do Egito [Ex.13:21,22].

Fale com Deus
A ansiedade tem a terrível capacidade de tomar nossa mente, coração e nossos ouvidos. Elas falam conosco constantemente sobre como tudo, no fim das contas, vai dar errado. Ela sussurra para nós um cenário imaginário extremamente convincente, mas que não corresponde com a realidade. Responder a essa voz pode ser desgastante e frustrante. É por isso que a Escritura nos instrui a falar com Deus, ao invés debater com nossa ansiedade. As palavras que seguem o comando “não andeis ansiosos” são “sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças”.
Uma das coisas que tenho aprendido na carreira da fé é que a sinceridade é requerida por Deus. Ele quer ouvir de nós quando não conseguimos superar nossas ansiedades, quando não conseguimos enfrentar o medo. Não há nada que lhe seja oculto, mas um coração disposto a declarar abertamente, diante dEle, suas fraquezas e a buscar ajuda é um coração contrito, Ele não despreza [Sl. 51:17]. Quão mais leve se torna a carga quando dizemos “Senhor, estou ansiosa! Não consigo confiar!”? Ele ouve nossas súplicas e nos revela a sua graça e sua direção. Como disse o reformador Lutero, ore, e deixe que Deus se preocupe.

Quando aprendermos de fato que as águas da graça estão à disposição, prontas para nos saciar, e guardarmos em nossos corações todas as promessas do Senhor para nossa vida e, principalmente, para nossa eternidade, saberemos, sempre que a ansiedade e a incredulidade bater à porta, que nós temos segurança e auxílio em Cristo. Lembraremos que todos os nossos medos, uma vez com Ele para sempre, serão banidos e que as aflições dessa vida não podem se comparar com a glória que em nós há de ser revelada [Rm. 8:18].

Um adendo: existem desordens físicas e psicológicas que levam a transtornos graves de ansiedade e esse texto não é sobre isso. Se você apresenta algum sintoma dessa doença é aconselhável buscar orientação médica para que você possa passar por uma análise e, se necessário, um tratamento.

Só a Deus a glória.
Eurídice.

oração

ORAÇÃO: POR QUE DEVO ORAR?

fevereiro 20, 2017

Tem uma frase de R.C. Sproul que chama minha atenção e me confronta muito: "alguém pode orar e não ser um cristão, mas alguém não pode ser um cristão e não orar"¹. A oração é o meio através do qual podemos ter comunhão com Deus, é um oferecimento de nossos desejos a Deus, em nome de Cristo e com o auxílio de seu Espírito, e com a confissão de nossos pecados e um grato reconhecimento de suas misericórdias². A oração nas Escrituras é, ao mesmo tempo, uma ordenança e um convite, um dever e um privilégio. O Senhor diz que estará atento às orações feitas por seus filhos, Jesus Cristo ensina-nos a orar e o Espírito Santo intercede por nós. A oração preenche toda a vida cristã, é seu oxigênio, mas infelizmente, por conta da queda da nossa natureza, é um dever negligenciado.
Grande parte de nós, se não todos, temos uma pessoa a quem recorremos nas dificuldades e com quem compartilhamos as alegrias da vida. Geralmente esse amigo próximo está sempre pronto a nos ouvir e, se for sábio, possui palavras de conforto, regozijo, ou repreensão e exortação. Nos sentimos à vontade e podemos passar longas horas conversando e desfrutando de sua companhia e dessa forma esse relacionamento será sempre fortalecido, renovado e cultivado. Guardadas as devidas proporções, essa deve ser nossa atitude para com o Senhor, lembrando sempre que Ele é Senhor, Salvador e Pai, e nos atrai a um relacionamento íntimo e profundo com Ele.
Ampliando mais o campo de percepção, podemos descansar na certeza de que, antes mesmo de pronunciarmos qualquer palavra Deus conhece nosso coração. Ele conhece nossas intenções, nossos desejos, nossos anseios, nossos medos, nossas dúvidas e nossos atos antes mesmo de sequer pensarmos neles. Ele conhece inclusive aquilo que está tão profundo em nosso coração que não conseguimos sondar. Nessas circunstâncias, o Espírito intervém e nos assiste. E diante disso surge a questão: por que devo orar? Essa pergunta surge geralmente dos seguintes pensamentos: "se Deus é soberano e faz tudo segundo a sua vontade, então o fato de eu orar não vai mudar as coisas" e "se Deus é onisciente, ele conhece minhas necessidades e pensamentos, então eu não preciso necessariamente falar as coisas pra Ele. Faz todo sentido confidenciar coisas a um amigo íntimo, visto que se eu não fizer isso ele não saberá o que se passa comigo. Mas Deus já sabe, então... por quê?
Partindo do pressuposto de que orar não é opcional para o cristão, vamos tentar entender porque precisamos cumprir esse dever. O primeiro motivo é óbvio: devemos orar porque Deus assim determina. "Perseverai na oração" [Cl.4:2], "orai sem cessar" [1Ts.5:17]. O dono de toda ciência é quem nos ordena essas coisas e isso por si só é razão suficiente. Ele quer que expressemos com nossos lábios as nossas necessidades e que façamos conhecidas as nossas petições [Fl.4:6].
Deus nos ordena orar também por nossa causa. Um dos motivos pelos quais nos importa orar é para que aprendamos a buscá-lo ardentemente, com o coração voltado para servi-lo e agradá-lo. Oramos para que aprendamos a achar refúgio nEle em todas as nossas necessidades, para que deixemos as cargas das nossas aflições diante dEle, para que nenhum desejo inflame nosso coração, antes sejam apresentados a Ele com sincera devoção e humildade, para que possamos desenvolver gratidão, contemplando sua benignidade ao recebermos o que buscamos, e confiança quando a resposta for contrária, para que constantemente sejamos lembrados da nossa fraqueza e insuficiência e de que Deus é fiel, justo e bom ao nos atender. Em palavras mais simples, somos levados a orar para que não venhamos nós mesmos a cair no sono e na apatia diante do Deus que não dorme e nem descansa. Para que sejamos como aquela viúva insistente da parábola de Jesus, que buscou com persistência o auxílio de um juiz injusto até que ele cedeu e resolveu atendê-la. "E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?" [Lc.18:6,7]

Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor.
Salmos 34:15

Outro motivo pelo qual devemos orar é que somos em tudo beneficiados na oração, e Deus é em tudo glorificado. Deus estabeleceu tudo para sua própria glória e tudo o que ele ordena na sua Palavra é para o bem dos que O amam. Os benefícios da oração para o homem são inúmeros e Ele é exaltado quando reconhecemos sua grandeza e poder através da nossa rendição e sincera humilhação. A oração tem o poder de confrontar, revelar e transformar a natureza impiedosa e perversa do nosso coração, bem como nossa ingratidão e insubmissão diante de Deus. Jonathan Edwards afirmou sobre isso que:

No que diz respeito a Deus, a oração é apenas um reconhecimento sensível de nossa dependência dele para a sua glória. Como ele fez todas as coisas para a sua glória, também precisa ser glorificado e reconhecido por suas criaturas; é justo que ele requeira isto daqueles que são objetos de sua misericórdia. É um reconhecimento apropriado de nossa dependência do poder e da misericórdia de Deus para aquilo de que necessitamos, mas também uma honra apropriada prestada ao grande Autor e Fonte de todo bem.
No que diz respeito a nós mesmos, Deus requer de nós a oração. Orações fervorosas tendem, de muitas maneiras, a preparar o coração. Por meio da oração, desperta-se o senso de nossa necessidade, por meio da oração, a mente é mais preparada para valorizar a misericórdia de Deus. Nossa oração a Deus pode despertar em nós um senso e consideração apropriados de nossa dependência de Deus quanto à misericórdia que pedimos, bem como um exercício apropriado de fé na suficiência de Deus, para que sejamos preparados para glorificar o seu nome quando a misericórdia for recebida.
Jonathan Edwards³

Não devemos usar a soberania de Deus como desculpa para não orar, mas como um impulso, um propulsor para orarmos cada vez mais. Afinal, qual seria o sentido de orar a alguém limitado e impotente? Que nosso olhar para a majestade de Deus e sua vontade seja de confiança e segurança, sabendo que aquele que diz que a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos e que se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve, é fiel e não mente.

Só a Deus a glória.
Eurídice.

¹ A Oração muda as coisas?; R.C. Sproul. Editora Fiel;
² Catecismo Maior de Westminster, pergunta 178: O que é oração?;
³ Sermão de Jonathan Edwards entitulado 'O Deus Altíssimo, que ouve orações'. Trecho retirado do livro 'A Oração muda as coisas?' de R.C. Sproul.

teologia

QUEM É DEUS? PARTE II

fevereiro 13, 2017

No último post nós começamos a estudar sobre quem Deus é. Vimos sobre a fonte da Sua Palavra, que é inerrante e eficaz, e sobre alguns dos Seus atributos. Hoje, dando continuação, vamos estudar mais um pouco sobre a natureza de Deus. Ouvimos e lemos que Deus é Santo e é Amor. Mas o que significa isso? E o que isso tem a ver conosco? Deus se revela Santo e revela seu amor nas Escrituras. Mas não para por aí. Ele ordena que sejamos santos como Ele é [Lv.20:7; 1Pe.1:15-16] e que o amemos como Ele nos amou [1Jo.4:11]. Se é o Senhor que nos ordena e nos capacita, esse deve ser o nosso alvo a cada dia. Devemos nos empenhar para crescer e viver uma vida do agrado do Senhor, obedecendo seus mandamentos.

4. Santidade: Exaltai ao Senhor nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o Senhor nosso Deus é santo. [Salmos 99:9]
Deus é absolutamente puro, perfeitamente moral e não há nEle sombra alguma de pecado. Ele é Santo em sua essência e sua santidade é excelente. Dos atributos de Deus, este é talvez o que recebe maior ênfase nas Escrituras e é aquele que, na linguagem de Howe, permeia todos os demais, é o atributo dos atributos. Deus é constantemente chamado de “O Santo” e há inúmeras referências ao Seu Santo Nome. A Santidade do Senhor é a Sua beleza:

“Tributai ao Senhor a glória de seu nome; trazei presentes, e vinde perante ele; adorai ao Senhor na beleza da sua santidade.” | 1 Crônicas 16:29

A Santidade do Senhor é tão magnífica ao ponto de ser celebrada por toda eternidade, com coros celestiais cantando “Santo, Santo, Santo é o Senhor...” [Ap. 4:8; Is. 6:3]. Ele nos ordena a louvar sua santidade, Ele jura por sua santidade e nos santifica segundo a mesma. A santidade de Deus é tão pura, perfeita, imaculada, que o menor dos erros lhe causa repulsa. Ele ama tudo o que obedece seus mandamentos e abomina tudo o que os contraria. 

"Visto que esta excelência parece se colocar acima dê todas as outras perfeições de Deus, assim ela constitui a glória destas; como é a glória da Deidade, assim é a glória de cada uma das perfeições da Deidade; como o poder de Deus é a energia das Suas perfeições, a Sua santidade é a beleza delas: como todas seriam fracas sem a onipotência divina para sustentá-las, seriam todas desgraciosas sem a santidade para adorná-las. Se esta se maculasse, todas as demais perderiam a sua honra; seria como se o sol perdesse a sua luz — no mesmo instante perderia seu calor» seu poder, sua virtude geradora e vivificante. Como no cristão a sinceridade é o brilho de todas as graças, em Deus a pureza é o esplendor de todos os Seus atributos, Sua justiça é santa. Sua sabedoria é santa. Seu braço poderoso é um "braço santo" (Salmo 98:1), Sua verdade ou palavra é uma "santa palavra" (Salmo 105:42). Seu nome, que expressa todos os Seus atributos juntos, é "santo" (Salmo 103:1)". | S. Charnock

O Senhor, em sua santidade, é justo, reto, se ira e é bom. A santidade do Senhor manifesta-se nas suas obras [Sl. 145:17], tendo feito tudo o que há muito bom, e tendo designado com perfeição fins a cada uma de suas criaturas, na sua lei [Rm. 7:12] que é santa e justa, e condena todo pecado, e  na sua cruz, a maior demonstração de seu caráter perfeito e seu ódio contra todo pecado. Ali na cruz o Pai derramou sobre o Filho o cálice de sua ira contra toda corrupção e maldade. A graça, em Cristo, cumpriu tudo aquilo que foi exigido pela santidade.

Nunca a santidade divina parece mais bela e mais amorável do que na hora em que o semblante do Salvador ficou por demais desfigurado em meio aos estertores da Sua agonia mortal. | A.W. Pink

5. Amor: “Deus é amor” [1 João 4:8b]
Ao afirmar que Deus é amor, João não faz referência apenas a ação dEle de amar, mas à sua natureza. Muito se fala do amor de Deus, mas pouco realmente se entende. O Deus de amor não é ingênuo, conivente, muito menos fraco. O amor de Deus nos cativa a ama-lO também. Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro [1 Jo.4:19].
Umas das coisas que precisamos compreender acerca do amor de Deus é que ele é soberano, ou seja, Deus ama a quem lhe apraz: "Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú" [Romanos 9:13]. Jacó não era em nada melhor quem Esaú e nada havia nele que o tornasse digno do amor de Deus - muito pelo contrário. Ainda assim Deus escolheu amá-lo. A causa do amor de Deus é Ele próprio. Seu amor não é influenciável, não é mutável, é incondicional. Não há nada que uma criatura possa fazer para atrair, ou impulsionar o Seu amor. Ele não nos ama por ter achado alguma virtude em nós, mas sim porque escolheu soberanamente nos amar. O amor dEle é eterno e independe de mim e de você. Ele não nos amou para corresponder ao nosso amor, mas nós passamos a ama-lO atraídos por Seu imenso amor. Ele nos amou quanto ainda o odiávamos e estávamos separados dEle por nossos pecados, e não havia nada em mim que pudesse atraí-lO quando ele escolheu me amar.

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus." | Efésios 2:4-7

O amor de Deus acha-se intimamente ligado à sua graça, bondade, misericórdia e aliança. Deus é amor e “nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos [1 Jo.4:9]. É nesse sentido que Seu amor excede todo entendimento [Ef. 5:19]. A santidade, justiça e o amor de Deus estão entrelaçados na obra graciosa e redentora de Cristo na cruz. Eis a maior expressão do amor: dar a vida por quem não merece a vida que tem. O misericordioso amor de Deus perdoa nossas transgressões e nos reedifica. A bondade amorosa do Senhor é manifesta na graça comum, no cuidado dEle com suas criaturas, no seu zelo com o mundo natural. E foi por amor que Deus fez uma aliança com seu povo, foi seu amor que nos atraiu para nos relacionarmos com Ele.

Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia;Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. | Romanos 8:33-39

Só a Deus a glória!
Eurídice.

Os Atributos de Deus; A.W. Pink - Tradução por Odayr Olivetti;
A Natureza de Deus - James White
Breve Catecismo/Catecismo Maior de Westminster.

teologia

QUEM É DEUS? PARTE I

fevereiro 06, 2017

Gosto muito de um artigo da Jen Wilkin onde ela nos leva a refletir sobre como é muito comum, quando um grupo de mulheres se reúnem para conversar sobre seus dilemas, ou quando a igreja local promove conferências/retiros/estudos bíblicos voltados para mulheres, gastar-se muito tempo buscando desvendar as maravilhas e as riquezas da identidade feminina. Sentimos que precisamos constantemente nos lembrar do quanto somos valiosas, amadas, preciosas. Sentimos que precisamos constantemente afirmar que nossa vida tem algum valor nesse mundo, que precisamos alimentar nossa autoestima, afinal somos filhas do rei, não é mesmo? Mas... será que é isso mesmo? Essas são as nossas reais necessidades? Por que, então, sempre parece que algo está faltando e nunca estamos satisfeitas com nossas descobertas e conosco?
Um dos grandes motivos que nos leva à falta de compreensão de quem somos é o fato de querermos nos descobrir a partir de nós mesmos. Mas há, antes de tudo, um fator determinante, basilar, para todo conhecimento: A compreensão de quem Deus é. É conhecendo a Ele que passamos a conhecer todo o resto. No livro de Oséias há uma exortação do Senhor para que o povo exerça misericórdia e busque o conhecimento de Deus mais do que oferecer sacrifícios [Oséias 6]. Em sua segunda epístola, Pedro saúda os irmãos na fé desejando que a graça e a paz sejam multiplicadas “pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor”.

“Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.”
Provérbios 2:3-5

O instrumento através do qual podemos conhecer a Deus é a sua Palavra, a Santa Escritura. Acerca dela podemos dizer que é “a única, suficiente, correta e infalível regra de todo conhecimento, fé e obediência salvíficos” ¹. O reformador João Calvino chegou a afirmar, no primeiro volume das Institutas, que “aqueles a quem o Espírito Santo interiormente ensinou aquiescem firmemente à Escritura, e esta é indubitavelmente autenticada por si mesma”. Sendo assim, é a ela, fonte de água perene, que vamos recorrer.
O Breve Catecismo de Westminster diz acerca de Deus: “Deus é Espírito [Jo.4:24], infinito, eterno e imutável em Seu Ser [Sl.90:2 e Tg.1:17], sabedoria [Rm.11:33], poder, santidade [Ap.4:8], justiça, bondade e verdade [Ex.34:6].” Os atributos de Deus são, entre muitos: a asseidade de Deus, seus decretos, imutabilidade, soberania, glória, santidade, amor e graça. A Bíblia nos fala acerca desses atributos de Deus e eu queria examina-los com vocês. Estudar esses atributos é estudar o caráter de Deus. Para que esse texto não fique muito extenso, vou dividi-lo em algumas partes, provavelmente duas, e tentar abordar cada um dos atributos da forma mais sucinta possível.
Antes de tudo eu gostaria de deixar claro que não sou nenhuma especialista no assunto. Não tenho curso em teologia, apesar de ter, por ela, uma paixão muito grande. Apenas tenho muita sede e sei onde posso achar água. Tenho muita fome e sei onde encontrar pão. Estou aprendendo, de mãos dadas com o Pai, e espero que vocês também tenham a mesma disposição. Oro para que o Espírito Santo seja nosso mestre e para que Suas doces palavras escorram como mel em nossos corações, para que cresçamos, juntamente, em conhecimento, em graça e em piedade. Então vamos lá!

1. Asseidade: “Disse Deus a Moisés: “Eu sou o que sou” [Ex. 3:14]
Deus é e existe por si e em si mesmo, não sendo causado, nem dependido de outro ser fora de si. Ele é criador de todas as coisas, e nada o criou. Ele é, e é absoluto. À luz do que diz o profeta Isaías, Ele em si é tudo e se basta.

Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento?
Isaías 40:13,14

Deus tem em si toda a vida e dEle se originam todas as coisas, nada houve antes dEle. Ele tudo gera e de nada é gerado. Houve um “tempo” em que nada havia, apenas Deus. No princípio, nas palavras de A.W. Pink², nada havia além de Deus. Pela eternidade (não por uns anos, séculos, ou milênios), desde sempre Deus esteve só, pleno, perfeito, completo, suficiente.

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
Romanos 11:33-36

2. Imutabilidade: “Porque eu, o Senhor, não mudo. ” [Ml. 3:6]
Deus não está sujeito a mudanças em seu ser. Não pode melhorar, pois é perfeito e, sendo perfeito não pode se deteriorar. Seus atributos e seus decretos permanecem os mesmos, imutáveis, invariáveis. Não há nada que possa corromper sua Santidade, afetar seu poder, ou abalar seu amor, pois são eternos. Sua vontade permanece e jamais será mudada. Seus dons e vocação são irrevogáveis [Rm. 11:29]. E nisto podemos descansar.
Há aqui uma diferença abismal entre criatura e Criador: nós somos inconstantes, mutáveis. Deus não muda.  A Ele a glória por isso! Podemos depositar toda nossa confiança nAquele em quem vivemos, nos movemos e existimos [At. ‘7:28], nAquele que sustenta nossa existência sem um vacilo sequer. Podemos estar seguros em saber que ainda que as montanhas se desviem e os outeiros tremam, a benignidade do Senhor não de desviará de nós, nem o concerto de Sua paz mudará [Is. 54:10].

3. Soberania: “Mas o nosso Deus está nos céus; Ele faz tudo o que lhe apraz.” [Salmo 115:3]
Deus é o Altíssimo, elevado acima de qualquer das suas criaturas. Sua soberania é o exercício da sua superioridade completa e incontestável. Seu agir é perfeito e Ele faz tudo conforme Sua vontade. Ele tem o controle eterno de todas as coisas e nada pode impedir seu querer.

Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?
Isaías 43:13

Mediante Sua soberania Deus estabeleceu o mundo e tudo o que nele há, estabeleceu todas as suas criaturas, e não apenas as criou, mas determinou todas as suas atribuições e um propósito eterno. Soberanamente Ele as pôs nas condições que pareceu bem aos Seus olhos e as rege. Não há rivalidade para Ele, pois Ele é sobre todas as coisas.
É um prazer para o cristão saber que sua vida é direcionada por Deus e que Ele faz o que Ele quer. É esse entendimento que devia nos colocar de joelhos para glorificá-lO, porque se Ele é soberano, então não há nada na nossa existência que esteja além ou aquém do que Senhor de todas as coisas deseja. Nenhuma alegria, nenhuma aflição, nenhuma dor, nenhum mal, nenhum bem, nenhuma virtude foge do ordenar do Eterno. Acerca disso, em uma das suas exposições, Spurgeon afirmou o seguinte:

"Não há atributo mais consolador para os Seus filhos do que o da soberania de Deus. Sob as circunstâncias mais adversas, em meio às mais duras provações, eles crêem que Deus na Sua soberania ordenou as suas aflições, que Ele as dirige soberanamente, e que na Sua soberania santificará todas elas! Para os filhos de Deus não deveria haver nada por que lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor domina toda a criação — do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mãos — do trono de Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como a grandiosa, estupenda, porém certíssima doutrina da soberania do infinito Jeová.”³

Irmãos e irmãs, devemos crer com regozijo nesta verdade: Deus é soberano. Deus é pleno, imutável e soberano. E a soberania dEle abrange todos os aspectos da nossa existência: desde a criação até a salvação dos Seus amados. Afirmar a soberania do Senhor sobre todas as esferas da nossa vida não exclui nossa responsabilidade pessoal (que estudaremos mais adiante), mas não podemos, por um instante sequer, esquecer que sem Ele nada podemos fazer [Jo. 15:5] e que sem Ele nada do que foi feito se fez [Jo. 1:3].

Semana que vem vamos continuar com a segunda parte do estudo sobre quem é Deus. Que essa breve descrição possa incentivá-las a buscar aprofundar seus conhecimentos acerca do nosso Amado, tendo, sobretudo, a Sua Palavra como fonte. Que Deus as abençoe.
Só a Deus a glória.

Eurídice.

¹ Confissão de Fé Batista de 1689. Um Catecismo Puritano, compilado por C.H. Spurgeon;
² Os Atributos de Deus; A.W. Pink - Tradução por Odayr Olivetti;
³ C.H. Spurgeon; Sermão n°77 pregado na manhã de Domingo, 04 de Maio de 1856;
As Institutas - Edição Clássica; João Calvino;
Breve Catecismo/Catecismo Maior de Westminster.

feminilidade

SER MULHER?

janeiro 30, 2017

FONTE
Há uma frase da Elisabeh Elliot muito conhecida entre as moças cristãs que diz o seguinte: “O fato de eu ser mulher não me torna um tipo diferente de cristão, mas o fato de eu ser cristã me torna um tipo diferente de mulher”. Será que entendemos, de fato, o sentido dessas palavras tão cheias de significado?
Falando de mulher pra mulher, nós sabemos o quanto somos pressionadas nesse mundo. Por um lado há o clamor das feministas que insistem, com seus discursos de liberdade, em falar em nosso nome. Um discurso no mínimo contraditório com pautas completamente anticristãs. De outro lado há pessoas ressentidas com esse movimento que, no lugar de soluções inteligentes, colocam todas as mulheres num mesmo saco e as tratam como se fossem menos do que realmente são.
Nós também sabemos que há uma incompreensão generalizada no que significa ser mulher dentro de muitas igrejas. Assuntos relacionados à vida cristã como submissão, liderança feminina, modéstia, casamento, maternidade, fragilidade, cosmovisão, vida acadêmica, entre outros, ainda geram muitas dúvidas e sofrem algumas distorções.
Mas afinal, o que é ser mulher? Como, sendo mulher, posso manifestar a glória de Deus? Espero descobrir essas coisas junto com vocês, à luz das Escrituras. E, pra começar, quero destacar o que John Piper diz em seu sermão “O Sentido Último da Verdadeira Feminilidade”:
“Teologia fraca produz mulheres fracas. Teologia fraca não dá a uma mulher um Deus grande o suficiente, forte o suficiente, sábio o suficiente, bom o suficiente para lidar com as realidades da vida de maneira a capacitá-la a magnificá-lo e a seu Filho o tempo todo. Ele não é grande o suficiente. Teologia fraca é infestada por centralidade na mulher, ou como chamamos normalmente, antropocentrismo. Teologia fraca não tem em baixo uma fundação de granito que é a soberania, não tem a estrutura de aço de um grande propósito teocêntrico para toda a existência humana, incluindo os piores seres humanos.”
Meu papel aqui é voltar ao meu lugar e encorajá-las a fazer o mesmo. Não há sentido na feminilidade, não há sentido na humanidade além daquele encontrado em Deus. Não é sobre nós, é sobre Ele. Não é sobre como somos boazinhas e adoráveis – porque não somos -, mas sobre como Ele é, e opera tudo em todos [1Cor.12:6]. É a Deus, que é soberano sobre todas as coisas e nos formou como somos, que devemos buscar conhecer. É a Sua Palavra, as Santas Escrituras, que deve ser nossa fonte e o Santo Espírito nosso professor por excelência.
Tenho sentido o impulso de expor as questões que tenho visto e vivido, de estar em uma posição vulnerável, para de alguma forma alcançar e ter meu próprio coração alcançado. Convido você a juntar-se a mim, pra que possamos conhecer juntas a manifestação da glória, da graça, do amor e do favor de Cristo e, na nossa feminilidade, buscarmos refletir, como espelhos, Sua imagem.
Só a Deus a glória.

Eurídice.