QUEM É DEUS? PARTE I

fevereiro 06, 2017

Gosto muito de um artigo da Jen Wilkin onde ela nos leva a refletir sobre como é muito comum, quando um grupo de mulheres se reúnem para conversar sobre seus dilemas, ou quando a igreja local promove conferências/retiros/estudos bíblicos voltados para mulheres, gastar-se muito tempo buscando desvendar as maravilhas e as riquezas da identidade feminina. Sentimos que precisamos constantemente nos lembrar do quanto somos valiosas, amadas, preciosas. Sentimos que precisamos constantemente afirmar que nossa vida tem algum valor nesse mundo, que precisamos alimentar nossa autoestima, afinal somos filhas do rei, não é mesmo? Mas... será que é isso mesmo? Essas são as nossas reais necessidades? Por que, então, sempre parece que algo está faltando e nunca estamos satisfeitas com nossas descobertas e conosco?
Um dos grandes motivos que nos leva à falta de compreensão de quem somos é o fato de querermos nos descobrir a partir de nós mesmos. Mas há, antes de tudo, um fator determinante, basilar, para todo conhecimento: A compreensão de quem Deus é. É conhecendo a Ele que passamos a conhecer todo o resto. No livro de Oséias há uma exortação do Senhor para que o povo exerça misericórdia e busque o conhecimento de Deus mais do que oferecer sacrifícios [Oséias 6]. Em sua segunda epístola, Pedro saúda os irmãos na fé desejando que a graça e a paz sejam multiplicadas “pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor”.

“Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.”
Provérbios 2:3-5

O instrumento através do qual podemos conhecer a Deus é a sua Palavra, a Santa Escritura. Acerca dela podemos dizer que é “a única, suficiente, correta e infalível regra de todo conhecimento, fé e obediência salvíficos” ¹. O reformador João Calvino chegou a afirmar, no primeiro volume das Institutas, que “aqueles a quem o Espírito Santo interiormente ensinou aquiescem firmemente à Escritura, e esta é indubitavelmente autenticada por si mesma”. Sendo assim, é a ela, fonte de água perene, que vamos recorrer.
O Breve Catecismo de Westminster diz acerca de Deus: “Deus é Espírito [Jo.4:24], infinito, eterno e imutável em Seu Ser [Sl.90:2 e Tg.1:17], sabedoria [Rm.11:33], poder, santidade [Ap.4:8], justiça, bondade e verdade [Ex.34:6].” Os atributos de Deus são, entre muitos: a asseidade de Deus, seus decretos, imutabilidade, soberania, glória, santidade, amor e graça. A Bíblia nos fala acerca desses atributos de Deus e eu queria examina-los com vocês. Estudar esses atributos é estudar o caráter de Deus. Para que esse texto não fique muito extenso, vou dividi-lo em algumas partes, provavelmente duas, e tentar abordar cada um dos atributos da forma mais sucinta possível.
Antes de tudo eu gostaria de deixar claro que não sou nenhuma especialista no assunto. Não tenho curso em teologia, apesar de ter, por ela, uma paixão muito grande. Apenas tenho muita sede e sei onde posso achar água. Tenho muita fome e sei onde encontrar pão. Estou aprendendo, de mãos dadas com o Pai, e espero que vocês também tenham a mesma disposição. Oro para que o Espírito Santo seja nosso mestre e para que Suas doces palavras escorram como mel em nossos corações, para que cresçamos, juntamente, em conhecimento, em graça e em piedade. Então vamos lá!

1. Asseidade: “Disse Deus a Moisés: “Eu sou o que sou” [Ex. 3:14]
Deus é e existe por si e em si mesmo, não sendo causado, nem dependido de outro ser fora de si. Ele é criador de todas as coisas, e nada o criou. Ele é, e é absoluto. À luz do que diz o profeta Isaías, Ele em si é tudo e se basta.

Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento?
Isaías 40:13,14

Deus tem em si toda a vida e dEle se originam todas as coisas, nada houve antes dEle. Ele tudo gera e de nada é gerado. Houve um “tempo” em que nada havia, apenas Deus. No princípio, nas palavras de A.W. Pink², nada havia além de Deus. Pela eternidade (não por uns anos, séculos, ou milênios), desde sempre Deus esteve só, pleno, perfeito, completo, suficiente.

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
Romanos 11:33-36

2. Imutabilidade: “Porque eu, o Senhor, não mudo. ” [Ml. 3:6]
Deus não está sujeito a mudanças em seu ser. Não pode melhorar, pois é perfeito e, sendo perfeito não pode se deteriorar. Seus atributos e seus decretos permanecem os mesmos, imutáveis, invariáveis. Não há nada que possa corromper sua Santidade, afetar seu poder, ou abalar seu amor, pois são eternos. Sua vontade permanece e jamais será mudada. Seus dons e vocação são irrevogáveis [Rm. 11:29]. E nisto podemos descansar.
Há aqui uma diferença abismal entre criatura e Criador: nós somos inconstantes, mutáveis. Deus não muda.  A Ele a glória por isso! Podemos depositar toda nossa confiança nAquele em quem vivemos, nos movemos e existimos [At. ‘7:28], nAquele que sustenta nossa existência sem um vacilo sequer. Podemos estar seguros em saber que ainda que as montanhas se desviem e os outeiros tremam, a benignidade do Senhor não de desviará de nós, nem o concerto de Sua paz mudará [Is. 54:10].

3. Soberania: “Mas o nosso Deus está nos céus; Ele faz tudo o que lhe apraz.” [Salmo 115:3]
Deus é o Altíssimo, elevado acima de qualquer das suas criaturas. Sua soberania é o exercício da sua superioridade completa e incontestável. Seu agir é perfeito e Ele faz tudo conforme Sua vontade. Ele tem o controle eterno de todas as coisas e nada pode impedir seu querer.

Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?
Isaías 43:13

Mediante Sua soberania Deus estabeleceu o mundo e tudo o que nele há, estabeleceu todas as suas criaturas, e não apenas as criou, mas determinou todas as suas atribuições e um propósito eterno. Soberanamente Ele as pôs nas condições que pareceu bem aos Seus olhos e as rege. Não há rivalidade para Ele, pois Ele é sobre todas as coisas.
É um prazer para o cristão saber que sua vida é direcionada por Deus e que Ele faz o que Ele quer. É esse entendimento que devia nos colocar de joelhos para glorificá-lO, porque se Ele é soberano, então não há nada na nossa existência que esteja além ou aquém do que Senhor de todas as coisas deseja. Nenhuma alegria, nenhuma aflição, nenhuma dor, nenhum mal, nenhum bem, nenhuma virtude foge do ordenar do Eterno. Acerca disso, em uma das suas exposições, Spurgeon afirmou o seguinte:

"Não há atributo mais consolador para os Seus filhos do que o da soberania de Deus. Sob as circunstâncias mais adversas, em meio às mais duras provações, eles crêem que Deus na Sua soberania ordenou as suas aflições, que Ele as dirige soberanamente, e que na Sua soberania santificará todas elas! Para os filhos de Deus não deveria haver nada por que lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor domina toda a criação — do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mãos — do trono de Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como a grandiosa, estupenda, porém certíssima doutrina da soberania do infinito Jeová.”³

Irmãos e irmãs, devemos crer com regozijo nesta verdade: Deus é soberano. Deus é pleno, imutável e soberano. E a soberania dEle abrange todos os aspectos da nossa existência: desde a criação até a salvação dos Seus amados. Afirmar a soberania do Senhor sobre todas as esferas da nossa vida não exclui nossa responsabilidade pessoal (que estudaremos mais adiante), mas não podemos, por um instante sequer, esquecer que sem Ele nada podemos fazer [Jo. 15:5] e que sem Ele nada do que foi feito se fez [Jo. 1:3].

Semana que vem vamos continuar com a segunda parte do estudo sobre quem é Deus. Que essa breve descrição possa incentivá-las a buscar aprofundar seus conhecimentos acerca do nosso Amado, tendo, sobretudo, a Sua Palavra como fonte. Que Deus as abençoe.
Só a Deus a glória.

Eurídice.

¹ Confissão de Fé Batista de 1689. Um Catecismo Puritano, compilado por C.H. Spurgeon;
² Os Atributos de Deus; A.W. Pink - Tradução por Odayr Olivetti;
³ C.H. Spurgeon; Sermão n°77 pregado na manhã de Domingo, 04 de Maio de 1856;
As Institutas - Edição Clássica; João Calvino;
Breve Catecismo/Catecismo Maior de Westminster.

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