QUEM É DEUS? PARTE II

fevereiro 13, 2017

No último post nós começamos a estudar sobre quem Deus é. Vimos sobre a fonte da Sua Palavra, que é inerrante e eficaz, e sobre alguns dos Seus atributos. Hoje, dando continuação, vamos estudar mais um pouco sobre a natureza de Deus. Ouvimos e lemos que Deus é Santo e é Amor. Mas o que significa isso? E o que isso tem a ver conosco? Deus se revela Santo e revela seu amor nas Escrituras. Mas não para por aí. Ele ordena que sejamos santos como Ele é [Lv.20:7; 1Pe.1:15-16] e que o amemos como Ele nos amou [1Jo.4:11]. Se é o Senhor que nos ordena e nos capacita, esse deve ser o nosso alvo a cada dia. Devemos nos empenhar para crescer e viver uma vida do agrado do Senhor, obedecendo seus mandamentos.

4. Santidade: Exaltai ao Senhor nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o Senhor nosso Deus é santo. [Salmos 99:9]
Deus é absolutamente puro, perfeitamente moral e não há nEle sombra alguma de pecado. Ele é Santo em sua essência e sua santidade é excelente. Dos atributos de Deus, este é talvez o que recebe maior ênfase nas Escrituras e é aquele que, na linguagem de Howe, permeia todos os demais, é o atributo dos atributos. Deus é constantemente chamado de “O Santo” e há inúmeras referências ao Seu Santo Nome. A Santidade do Senhor é a Sua beleza:

“Tributai ao Senhor a glória de seu nome; trazei presentes, e vinde perante ele; adorai ao Senhor na beleza da sua santidade.” | 1 Crônicas 16:29

A Santidade do Senhor é tão magnífica ao ponto de ser celebrada por toda eternidade, com coros celestiais cantando “Santo, Santo, Santo é o Senhor...” [Ap. 4:8; Is. 6:3]. Ele nos ordena a louvar sua santidade, Ele jura por sua santidade e nos santifica segundo a mesma. A santidade de Deus é tão pura, perfeita, imaculada, que o menor dos erros lhe causa repulsa. Ele ama tudo o que obedece seus mandamentos e abomina tudo o que os contraria. 

"Visto que esta excelência parece se colocar acima dê todas as outras perfeições de Deus, assim ela constitui a glória destas; como é a glória da Deidade, assim é a glória de cada uma das perfeições da Deidade; como o poder de Deus é a energia das Suas perfeições, a Sua santidade é a beleza delas: como todas seriam fracas sem a onipotência divina para sustentá-las, seriam todas desgraciosas sem a santidade para adorná-las. Se esta se maculasse, todas as demais perderiam a sua honra; seria como se o sol perdesse a sua luz — no mesmo instante perderia seu calor» seu poder, sua virtude geradora e vivificante. Como no cristão a sinceridade é o brilho de todas as graças, em Deus a pureza é o esplendor de todos os Seus atributos, Sua justiça é santa. Sua sabedoria é santa. Seu braço poderoso é um "braço santo" (Salmo 98:1), Sua verdade ou palavra é uma "santa palavra" (Salmo 105:42). Seu nome, que expressa todos os Seus atributos juntos, é "santo" (Salmo 103:1)". | S. Charnock

O Senhor, em sua santidade, é justo, reto, se ira e é bom. A santidade do Senhor manifesta-se nas suas obras [Sl. 145:17], tendo feito tudo o que há muito bom, e tendo designado com perfeição fins a cada uma de suas criaturas, na sua lei [Rm. 7:12] que é santa e justa, e condena todo pecado, e  na sua cruz, a maior demonstração de seu caráter perfeito e seu ódio contra todo pecado. Ali na cruz o Pai derramou sobre o Filho o cálice de sua ira contra toda corrupção e maldade. A graça, em Cristo, cumpriu tudo aquilo que foi exigido pela santidade.

Nunca a santidade divina parece mais bela e mais amorável do que na hora em que o semblante do Salvador ficou por demais desfigurado em meio aos estertores da Sua agonia mortal. | A.W. Pink

5. Amor: “Deus é amor” [1 João 4:8b]
Ao afirmar que Deus é amor, João não faz referência apenas a ação dEle de amar, mas à sua natureza. Muito se fala do amor de Deus, mas pouco realmente se entende. O Deus de amor não é ingênuo, conivente, muito menos fraco. O amor de Deus nos cativa a ama-lO também. Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro [1 Jo.4:19].
Umas das coisas que precisamos compreender acerca do amor de Deus é que ele é soberano, ou seja, Deus ama a quem lhe apraz: "Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú" [Romanos 9:13]. Jacó não era em nada melhor quem Esaú e nada havia nele que o tornasse digno do amor de Deus - muito pelo contrário. Ainda assim Deus escolheu amá-lo. A causa do amor de Deus é Ele próprio. Seu amor não é influenciável, não é mutável, é incondicional. Não há nada que uma criatura possa fazer para atrair, ou impulsionar o Seu amor. Ele não nos ama por ter achado alguma virtude em nós, mas sim porque escolheu soberanamente nos amar. O amor dEle é eterno e independe de mim e de você. Ele não nos amou para corresponder ao nosso amor, mas nós passamos a ama-lO atraídos por Seu imenso amor. Ele nos amou quanto ainda o odiávamos e estávamos separados dEle por nossos pecados, e não havia nada em mim que pudesse atraí-lO quando ele escolheu me amar.

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus." | Efésios 2:4-7

O amor de Deus acha-se intimamente ligado à sua graça, bondade, misericórdia e aliança. Deus é amor e “nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos [1 Jo.4:9]. É nesse sentido que Seu amor excede todo entendimento [Ef. 5:19]. A santidade, justiça e o amor de Deus estão entrelaçados na obra graciosa e redentora de Cristo na cruz. Eis a maior expressão do amor: dar a vida por quem não merece a vida que tem. O misericordioso amor de Deus perdoa nossas transgressões e nos reedifica. A bondade amorosa do Senhor é manifesta na graça comum, no cuidado dEle com suas criaturas, no seu zelo com o mundo natural. E foi por amor que Deus fez uma aliança com seu povo, foi seu amor que nos atraiu para nos relacionarmos com Ele.

Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia;Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. | Romanos 8:33-39

Só a Deus a glória!
Eurídice.

Os Atributos de Deus; A.W. Pink - Tradução por Odayr Olivetti;
A Natureza de Deus - James White
Breve Catecismo/Catecismo Maior de Westminster.

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