QUANDO A INSEGURANÇA É TUDO O QUE VOCÊ CONHECE

março 13, 2017

A fraqueza da insegurança é uma realidade que eu conheço bem. Não sei, minha amiga, o quanto você entende disso. A insegurança é um imã que te prende a um chão cheio de incertezas e medos, e paralisa todas as suas faculdades. É um tipo de medo tão recorrente que na nossa sociedade tem se tornado um estado do ser. É uma batalha travada na mente, que lança suas provocações, dizendo que você não é boa o suficiente e nada do que você faz basta. Tem sempre mais, sempre algo melhor, nada nunca está completo. A insegurança é gerada por um profundo sentimento de inferioridade, rejeição e pelo medo da desaprovação dos outros. Uma pessoa insegura pode se expressar de formas diferentes, dependendo de seu temperamento, evitando completamente - ou buscando a atenção das pessoas ao seu redor.
Eu vivo lutando contra as sombras da insegurança todos os dias. Circunstâncias simples como dar um "bom dia", fazer uma pergunta, expôr uma opinião, ou discordância e fazer conhecida alguma necessidade requerem de mim um esforço fora do normal. Em cada uma delas a possibilidade da falha e da fraqueza se colocam diante de mim como um tremendo obstáculo, difícil de transpor. "E se eu falar muito baixo e eles não me ouvirem?", "E se não gostarem das minhas ideias?, "E se tudo o que eu estou pensando não passar de coisas ridículas e sem sentido?". Minhas dificuldades são reais, assim como devem ser a de algumas de vocês, e os esforços que fazemos para superá-las são genuínos, mas elas talvez escondam um problema mais profundo. Elas podem estar nos dizendo que nossa identidade é incerta ou está ameaçada.

Identidade incerta.
Um dos mecanismos de fuga dos inseguros é buscar afirmação em outras pessoas. Quanto mais aprovação e reconhecimento ele receber, melhor ele vai se sentir consigo mesmo. Quanto mais sentir que está agradando alguém, mais seguro ele vai estar. É como se essa pessoa fosse incapaz de se perceber fora de alguém. De certa forma sua identidade acaba sendo moldada nas coisas que A ou B falam acerca dele. Ele só se sente amado se A ou B o amar, só se sente valorizado se essas pessoas afirmarem constantemente seu valor. Isso é como se equilibrar no fio de uma navalha. Da mesma forma que ele é falho e inconstante, os outros também são. E no momento em que ele errar com alguém, no momento em que desagradar alguém, toda confiança que ele construiu ruirá.
O que o inseguro precisa entender é que nem mesmo seus melhores amigos são - e não é justo que eles sejam - fundação segura para se construir uma identidade. Firmar sua segurança no homem é ir contra a Palavra do Senhor. "Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!" [Jr.17:5]

Onde você encontra a identidade?
Bem aventurado [feliz] é o homem que põe no Senhor sua confiança [Sl.34:8]. Feliz, contente, firme... e seguro. Essas são as características de alguém que encontra sua identidade no Senhor. Como moças e mulheres redimidas, nossa identidade primária é de filhas do Pai Eterno, servas do Deus Altíssimo. Nós recebemos, por meio do sacrifício de Cristo, o direito de nos tornamos filhas de Deus [Jo. 1:12]. Essa identidade supera qualquer coisa, esse fundamento sólido, ao contrário do que encontramos em outras pessoas, em outras coisas, não pode ser destruído jamais. Diante dEle podemos parar de olhar para as coisas terrenas em busca de satisfação, completude, propósito e afirmação. É Ele quem define os parâmetros e os rumos da nossa vida, já que a vida que vivemos, vivemos pela fé no Filho de Deus [Gl. 2:20]. Cristo vive em nós! Não precisamos nos sentir inferiores ou dependentes, temerosas e apreensivas. Estando nEle nós podemos ter a certeza de que nossas vidas são conduzidas graciosamente, e amparadas em segurança.
Nele nós temos a capacidade de pensar o que convém a nosso respeito: nem mais, nem menos [Rm. 12:3]. Com a devida moderação, seremos capazes de refletir a cerca dos nossos defeitos e limitações, e de estimar nossas virtudes de modo a usá-las para glória de quem as deu. Podemos, enfim, colocar de lado o peso do temor do homem, as comparações pecaminosas, o sentimento de insuficiência. Cristo é suficiente e sua suficiência nos alcança. Ele vive em nós, podemos descansar nessa gloriosa revelação da graça de Deus.

Toda falta de alegria e paz que advém de uma identidade incerta é quebrada quando compreendemos quem fomos criadas para ser e qual é o nosso propósito. Roubamos o Senhor da Sua glória quando não repousamos nosso ser nEle, quando buscamos nosso fim em outra coisa qualquer. Mas quando abraçamos a identidade que nos é dada no Filho - e quando vivemos ela - experimentamos toda plenitude da graça, do amor, da misericórdia, da bondade de Deus, e temos, enfim, abundância de paz e satisfação.

“Que a gente pare de querer olhar para o lado, e foque na cruz de Cristo, no sangue dEle derramado por nós, para que nós sejamos dignas, filhas do Rei dos Reis, filhas do Deus Altíssimo – que a nossa identidade esteja toda nisso.” [Francine Veríssimo]

Só a Deus a glória.
Eurídice.

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